Video Game – Um Santo Remédio

Você já deve ter ouvido por aí que videogame deixa as pessoas desatentas, desconcentradas e atrapalha os estudos. A gente aqui do MSN Jogos sempre defendeu que é exatamente o contrário. Pois agora o estudo de um brasileiro mostra que o videogame pode ser usado com muito sucesso no tratamento portadores de déficit de atenção e hiperatividade, conhecido como TDAH.

O estudo ganhou reconhecimento internacional e até um prêmio especial na maior feira de ciências para estudantes do mundo todo, a ISEF 2011 (International Science and Engineering Fair), realizada no mês de maio, em Los Angeles.

O autor do estudo é o jovem Matheus Manupella, paulista de apenas 17 anos, aluno do Colégio Renascença. Por conta dessa pesquisa, ele ganhou uma bolsa de estudos de US$ 60 mil da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, competindo contra outros 1.500 estudos de jovens pesquisadores de 65 outros países.

Ele próprio explica como os jogos eletrônicos podem ajudar pacientes que sofrem de TDAH.

Como exatamente um videogame pode auxiliar o tratamento de um paciente com déficit de atenção e hiperatividade?

Matheus Manupella: O videogame estimula as funções psicológicas e neurobiológicas afetadas pelo TDAH. Do ponto de vista psicológico, a pessoa com déficit tem pequeno âmbito de atenção, fácil distração, desorganização, dificuldade de controle de impulso, hiperatividade, dificuldade em começar uma tarefa e terminá-la sem começar outra. Apesar disso, pessoas com TDAH conseguem se concentrar por mais tempo naquilo que lhes é agradável, estimulante. E aí entram os videogames, que trabalham com um ambiente virtual altamente interativo, estimulante. Isso mexe com os campos da visão, audição, coordenação motora.

Como ele ajuda a controlar a hiperatividade?

Quando uma pessoa joga, principalmente quando ganha, sente uma sensação de maior satisfação e saciedade. Tal processo também pode ser explicado do ponto de vista neurobiológico: no cérebro de pessoas com TDAH, ocorre uma maior receptação de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, responsáveis por essas sensações. Quando se joga videogame, e principalmente quando se ganha, há uma maior liberação desses neurotransmissores.

Que games você usou para comprovar sua teoria?

Optei por títulos que trazem estímulo para áreas que vinha estudando, como memorização, atenção, autocontrole. Por isso escolhi jogos como “Genius” – ou Simon, como também é conhecido – e “Tetris”. Mas também usei “Mario Kart”, na versão para Wii. Ele usa sensores de movimento, estimula mais a coordenação motora e colabora para uma maior concentração.

Como é o jogo que você criou para este tratamento?

Fiz um jogo eletrônico para computador, que desenvolvi com a ajuda de uma amigo programador: Guilherme Raileanu. Apesar de usar ferramentas que estimulam as funções sendo estudadas, o game é voltado para o conteúdo escolar, trata até de política. Ele ainda precisa ser aperfeiçoado e está na primeira versão, ainda bem rudimentar. Serviu mais para ver se aquele estímulo observado com o uso dos outros jogos eletrônicos poderia ocorrer na aprendizagem.

E qual o resultado?

Ocorreu na aprendizagem sim, principalmente em termos de memorização. A capacidade de memorizar o conteúdo de forma mais natural com a ajuda do jogo é maior. A partir daí, com reflexões em sala de aula, o aluno estará, mas apto a relacionar o que sabe e elaborar um raciocínio crítico e lógico.

É um jogo de perguntas e respostas?

É mais como um “show de perguntas”, em que o aluno é protagonista e tem o auxílio de ferramentas como textos, imagens, vídeos, dicas dadas pelos seus próprios professores. São ferramentas que procuram deixá-lo mais interativo.

Você acha que o uso dos sensores de movimento – Kinect, por exemplo – também podem auxiliar no tratamento à TDAH? Com toda certeza. Quanto mais interativo o jogo, melhor. Quanto mais real e mais próximo, maior será a ativação e trabalho cerebral.

Qual caminho seu trabalho percorreu para chegar à Intel ISEF 2011?

Esse trabalho é uma monografia, como se fosse um TCC de faculdade para jovens pré-universitários. Com o meu trabalho, minha escola me escolheu para participar de uma feira de ciências e tecnologia para jovens pré-universitários. Essa feira, chamada MostraTec, ocorre no Rio Grande do Sul.

Aqui em São Paulo, também temos a FEBRACE, que ocorre na USP. Essas são as duas maiores feiras de ciências para pré-universitários do país, e são as únicas dua feiras brasileiras que dão um prêmio muito especial: o credenciamento para participar da Intel ISEF, nos EUA. Ganhei esse prêmio na MostraTec em outubro de 2010 e fui participar da Intel ISEF em maio desse ano. Lá, ganhei uma bolsa para estudar em Chicago.

Você joga videogame?

Sim, mas confesso que não muito, nada fora do normal. Gosto muito de joguinhos rápidos para quando estou entediado ou esperando alguma coisa, como os de iPod. Também me interesso por games mais “sérios”, como Genius, o jogo das sequências de cores que exerce a memória. E para descontrair curto muito Mario Kart, que é meu favorito.

Como os games agem no cérebro

O estudo conseguiu demonstrar de forma científica como os jogos de videogame apresentam potencial de aprendizagem lógica, desenvolvimento do raciocínio científico e de áreas cerebrais cognitivas. A atuação acontece em especial no hipocampo, responsável pela memória, e no córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e execução das ações motoras mais complexas, das escolhas comportamentais e da atenção.

Manupella criou um game que, ao ser jogado, ensina determinado conteúdo, estando os pontos principais deste inseridos em partes do jogo que exercitam o hipocampo e podem ser utilizados como método de concentração e autocontrole para adolescentes portadores de déficit de atenção e hiperatividade.

A disfunção cerebral encontra-se no córtex pré-frontal, área exercitada pelo uso dos jogos. A atividade de jogá-los libera neurotransmissores que sofrem uma maior receptação no cérebro dos portadores de TDAH.

Fonte: http://jogos.br.msn.com/noticias/um-santo-rem%C3%A9dio?page=0

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